domingo, 22 de abril de 2012

Querem que eu me envergonhe de meu sucesso

Não tenho sobrenome famoso (..) Faço parte de um grupo de brasileiros que, a partir do trabalho honesto, construiu seu patrimônio.(..) Sou “dazelite”. (..) Querem me responsabilizar pela miséria dos desafortunados. Me chamam de burguês, explorador dos proletários. Querem que eu me envergonhe de ter o que nem todos têm.


Tenho lido e ouvido um papo antigo, que parece ganhar cada vez mais espaço na mídia. É um papo-furado, repetido como ameaça por todo canto. Querem que eu tenha vergonha. Vergonha de ter um bom emprego. 


Vergonha de ter um bom carro. Vergonha de morar numa bela casa, em um bairro classe “A”. Vergonha de ter educação superior. Vergonha de viajar em férias para o exterior. Querem que eu tenha vergonha de usar roupas de marca. 

Vergonha de ter amigos “bem de vida”. De manter meus filhos em escolas particulares. Vergonha de falar inglês. Vergonha de ter mais de duas televisões em casa. Vergonha de sair pra comer em restaurantes, de ir ao teatro quando quero. Vergonha de comprar livros importados. Vergonha de ter dado um carro para meu filho quando ele fez 18 anos...


Não tenho sobrenome famoso, não herdei coisa alguma e não tenho pai milionário. Faço parte de um grupo de brasileiros que, a partir do trabalho honesto, construiu seu patrimônio. Tenho uma vida muito diferente da vida dos milhões de miseráveis que habitam “estepaíz”. Sou “dazelite”. E por ser “dazelite” sou considerado diferente dos “outros” brasileiros. Querem me responsabilizar pela miséria dos desafortunados. Me chamam de burguês, explorador dos proletários. Querem que eu me envergonhe de ter o que nem todos têm. 

Querem me punir pelo meu sucesso. Insinuam a meus filhos que eles são “do mal”. A cada dia, taxam mais e mais meus ganhos e meus gastos, como que punindo minha capacidade de consumo. Baixam a qualidade dos bens e serviços de que preciso. Querem que eu me envergonhe de meu sucesso. 

Mas eu sei de onde vim e como vim. Sei quanto vale e quanto custou o que tenho. Eu sei o que quero para meu país. Quero um país onde o sucesso seja celebrado. Um país no qual as pessoas que trabalham duro conquistem seu lugar ao sol. Um país onde cada um vença por mérito próprio. Um país que não dê espaço para os vagabundos. Um país onde as leis tenham um só peso, uma só medida. Um país onde as ideologias jamais sejam colocadas acima do bem comum. Um país onde a ignorância nunca seja celebrada. Um país no qual a inteligência seja cultuada, o profissionalismo seja exigido e a educação seja prioridade. Um país onde ninguém jamais tenha que se envergonhar de ser bem sucedido. 

E para isso já comecei a trabalhar: fiz minha cabeça, pra ter orgulho. Orgulho de ter um bom emprego. Orgulho de ter um bom carro. Orgulho de morar numa bela casa, em um bairro classe “A”. Orgulho de ter educação superior. Orgulho de viajar em férias para o exterior. Orgulho de usar roupas de marca. Orgulho de ter amigos “bem de vida”. De manter meus filhos em escolas particulares. Orgulho de falar inglês. Orgulho de ter mais de duas televisões em casa. Orgulho de sair pra comer em restaurantes, de ir ao teatro quando quero. Orgulho de comprar livros importados. Orgulho de ter dado um carro para meu filho quando ele fez 18 anos...

Tenho orgulho de pertencer à “zelite”. De ter chegado onde cheguei, por meus méritos. De ter criado as oportunidades. De ter cultura para reconhecer os que tentam me manipular. Sou diferente, sim. Diferente dos que, em vez de celebrar o mérito, tentam fazer com que eu tenha vergonha de ser o que sou.


Comentário: Não acabei de ler livro ainda, mas por esse e por outros textos, já recomendo a leitura.

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